ClickUp tem certificação ISO? As cinco e o que cobrem

clickup atualizacoes

Sim, o ClickUp tem certificação ISO: são cinco normas declaradas na página de segurança do fabricante — ISO/IEC 27001:2022, 27017:2015, 27018:2019, 27701:2019 e 42001 —, além de relatórios SOC, conformidade PCI e selos de GDPR e HIPAA. Se você chegou aqui preenchendo um formulário de homologação de fornecedor, essa é a resposta que o jurídico pede.

Este artigo mostra o que cada norma cobre, por que ISO e SOC não são a mesma coisa, o que ainda fica do seu lado e uma ressalva que eu não vi ninguém publicar: três das cinco edições que o ClickUp cita constam como retiradas no catálogo da ISO, com versões mais novas já publicadas. Isso não invalida nada e não significa irregularidade — significa que existe uma pergunta específica a fazer ao fabricante antes de anexar o certificado, e eu explico qual é.

Declaro o interesse comercial: a Audatia é revenda oficial do ClickUp no Brasil, e eu passo por formulários de homologação junto com os meus clientes. É justamente por isso que este texto confere as edições no catálogo da ISO em vez de repetir a lista da página do fabricante, e dedica uma seção inteira ao que a certificação não cobre.

O que o ClickUp declara em segurança e privacidade

A página de segurança do fabricante organiza as declarações em quatro blocos, e vale separá-los porque o time de compliance costuma pedir documentos diferentes de cada um.

As certificações ISO são cinco: quatro na frente de segurança e privacidade da informação (27001, 27017, 27018 e 27701) e uma de gestão de inteligência artificial (42001). Os relatórios SOC são três: SOC 1 Tipo 2, SOC 2 Tipo 2 e SOC 3 — sobre esses o fabricante afirma que os controles são auditados de forma independente pelo menos uma vez por ano. Há ainda a conformidade contínua com PCI, para dado de cartão, e os selos de GDPR e HIPAA, que aparecem como emblemas na página, sem escopo descrito no texto.

Uma observação sobre o HIPAA, porque ela muda a resposta em formulário de saúde: na página de preços, a menção a HIPAA aparece como disponível no plano Enterprise, não como característica de todos os planos.

Como funciona uma certificação ISO (e por que a edição importa)

Esta é a parte que quase nenhum artigo explica, e é a que decide se o seu documento passa na homologação.

Uma certificação ISO tem três elementos que andam juntos. O primeiro é o escopo: o certificado vale para atividades, serviços e localidades específicas, listadas nele. Certificado sem escopo legível não serve de prova, porque não dá para saber se o produto que você contratou está dentro dele. O segundo é o organismo certificador acreditado, que é quem audita e emite — a ISO escreve a norma, não certifica ninguém. O terceiro é a validade, tipicamente um ciclo de três anos com auditorias de vigilância no intervalo e recertificação ao final.

O quarto elemento é o que gera a ressalva deste artigo: norma tem edição. Quando a ISO publica uma edição nova, a anterior passa a constar como retirada no catálogo, e abre-se um período de transição em que os certificados emitidos contra a edição antiga seguem válidos até a migração. É por isso que um fornecedor pode legitimamente exibir uma edição retirada durante algum tempo — e por isso que a pergunta certa não é “está retirada?”, e sim “qual edição o certificado vigente cobre, e quando é a migração?”.

As cinco normas ISO que o ClickUp declara

Norma citada O que ela cobre Natureza da norma Situação no catálogo da ISO
ISO/IEC 27001:2022 Requisitos do sistema de gestão de segurança da informação. É a norma-mãe, a que quase todo formulário pede Requisitos certificáveis Publicada, edição 3 de 2022, com uma emenda. É a edição atual
ISO/IEC 42001:2023 Sistema de gestão de inteligência artificial Requisitos certificáveis Publicada, edição 1 de 2023. É a edição atual
ISO/IEC 27017:2015 Controles de segurança da informação específicos para serviço em nuvem Código de prática, certificado como extensão do escopo da 27001 Retirada. Nova versão publicada: 27017:2026
ISO/IEC 27018:2019 Proteção de dado pessoal em nuvem pública, quando o provedor atua como operador Código de prática, certificado como extensão do escopo da 27001 Retirada. Nova versão publicada: 27018:2025
ISO/IEC 27701:2019 Sistema de gestão de privacidade da informação. Na edição de 2019, estruturada como extensão da 27001 Requisitos certificáveis O catálogo traz a edição 2, de 2025, como publicada

Repare no padrão da coluna do meio: as cinco normas não têm o mesmo peso. A 27001, a 27701 e a 42001 são normas de requisitos, que geram certificado de sistema de gestão. A 27017 e a 27018 são códigos de prática — conjuntos de controles que, na prática de mercado, entram como extensão do escopo da certificação 27001, e não como certificados independentes. Formulário que pede “certificado ISO 27017” isolado costuma receber, corretamente, um certificado 27001 cujo escopo menciona a 27017.

E a leitura prática da última coluna: das cinco edições que o fabricante publica, duas estão em dia e três já foram sucedidas. Isso é comum e raramente é problema — ciclos de transição existem exatamente para isso. Vira problema quando o seu auditor exige a edição vigente e ninguém perguntou antes. Por isso a linha que eu incluo no pedido de documentos é sempre a mesma: qual edição consta no certificado atual e qual é o cronograma de migração.

ISO e SOC não são a mesma coisa

Essa é a confusão que mais trava homologação, e ela tem uma raiz de vocabulário que vale conhecer.

ISO é certificação: um organismo acreditado audita e emite um certificado, com escopo e validade. SOC é atestação: um auditor independente examina os controles e emite um relatório, geralmente extenso e sob acordo de confidencialidade. Não existe “certificado SOC 2” no sentido estrito — existe relatório SOC 2 Tipo 2.

Relatório O que ele cobre
SOC 1 Tipo 2 Controles com efeito sobre o relatório financeiro do cliente, avaliados ao longo de um período
SOC 2 Tipo 2 Segurança, disponibilidade e confidencialidade, avaliadas ao longo de um período. É o que o time de segurança normalmente quer ler
SOC 3 Versão resumida e de distribuição pública do SOC 2, útil quando o relatório completo não pode ser compartilhado

Registro uma divergência de vocabulário que você vai encontrar: a própria página de segurança do ClickUp chama os três de “certifications” e fala em “audit certifications” para SOC. Tecnicamente, SOC é um trabalho de atestação e o produto dele é um relatório, não um certificado. Isso não muda o valor do documento — mas se o seu formulário perguntar “possui certificação SOC 2?”, a resposta honesta é que existe relatório SOC 2 Tipo 2, e é ele que deve ser anexado.

O que a ISO 42001 acrescenta

A ISO/IEC 42001:2023 é a norma de sistema de gestão de inteligência artificial, publicada em edição 1 e descrita pela ISO como a primeira norma de sistema de gestão de IA do mundo. O fabricante afirma estar entre as primeiras plataformas a obtê-la.

Ela não certifica que um modelo acerta. Certifica que a empresa tem processo para decidir onde a IA entra, quem responde por ela, como o risco é avaliado e como a mudança é controlada. Na prática de homologação, é o que responde à pergunta de governança de IA que passou a aparecer nos formulários — antes dela, a resposta dependia de política interna sem verificação externa.

A 27001 e a 42001 não se substituem: uma cuida da segurança da informação, a outra da gestão da IA. Se você usa os recursos de IA da plataforma, vale pedir também as declarações do fabricante sobre uso de dado para treinamento. A página de segurança afirma que os parceiros de IA estão proibidos de treinar modelos com os seus dados, que a operação usa aprendizado em contexto e que não há retenção de dados por terceiros.

E a LGPD?

Aqui é preciso cuidado, porque a pergunta é comum e a resposta fácil seria errada. A página de segurança do ClickUp não menciona a LGPD em nenhum ponto — os selos que ela exibe são de GDPR e HIPAA.

Isso não significa que o uso seja incompatível com a LGPD. Significa que a adequação à LGPD não se resolve por selo do fabricante: ela depende do contrato, do acordo de tratamento de dados, da base legal que a sua empresa usa e de onde o dado fica hospedado. As certificações 27018 e 27701 ajudam na diligência, porque tratam de dado pessoal em nuvem, mas o documento que o seu jurídico precisa é contratual.

O ponto de hospedagem merece atenção especial no Brasil, e é um dado concreto que o fabricante publica. A opção de residência de dados existe apenas no plano Enterprise, sem custo adicional, e as regiões disponíveis são Irlanda, Austrália, Singapura e Estados Unidos. Não há região no Brasil. Na prática, o dado de uma empresa brasileira fica fora do país em qualquer configuração, e nos planos abaixo do Enterprise não há escolha de região. A transferência internacional de dados tem capítulo próprio na LGPD, e essa avaliação é do seu jurídico — a minha parte é garantir que ele receba o fato antes de assinar, não depois.

O que a certificação não cobre

Comecemos pelo que ela cobre, porque é legítimo: ter um fornecedor certificado elimina uma camada inteira de risco e é motivo suficiente para preferir a plataforma. Mas a certificação alcança o que o fabricante controla, e o seu risco não termina aí.

A certificação do fabricante cobre a infraestrutura dele. Quem acessa o quê, o que virou link público e quem saiu da empresa com convite ativo continuam sendo configuração sua — e nenhuma norma alcança isso.

O que continua do seu lado, em ordem de frequência com que eu encontro:

  • Permissão larga demais. Space compartilhado com o Workspace inteiro porque era mais rápido do que decidir quem precisa ver.
  • Link público esquecido. Documento ou visão publicada para compartilhar com um cliente e nunca despublicada.
  • Convite ativo de quem saiu. O desligamento passa pelo RH e não passa pela plataforma.
  • Informação sensível colada na tarefa. Credencial, documento de identificação ou dado de cartão no corpo de um comentário, porque era mais rápido que o cofre de senhas.
  • Integração autorizada por alguém que saiu. Conexão com outro sistema criada por um usuário que não existe mais e que ninguém revisou.

Vale dizer com todas as letras: se o seu objetivo com a homologação era encerrar o assunto segurança, a resposta honesta é que o certificado do fabricante resolve a metade que não depende de você. A outra metade é rotina, e ela não tem selo.

O que pedir na homologação do fornecedor

Lista curta do que costuma destravar um cadastro, na ordem em que eu peço:

  • Certificado ISO/IEC 27001 vigente, com escopo e data de validade legíveis, e o nome do organismo certificador
  • Confirmação de qual edição cada certificado cobre — especialmente 27017, 27018 e 27701 — e o cronograma de migração para as edições novas
  • Relatório SOC 2 Tipo 2 do período mais recente; o SOC 3 quando o completo não puder ser compartilhado
  • Acordo de tratamento de dados, para anexar ao contrato
  • Região de hospedagem contratada e política de retenção. Se a residência de dados for exigência interna, confirmar que o plano contratado é o Enterprise, porque é o único com essa opção
  • Processo de notificação de incidente e prazo
  • Se você usa os recursos de IA: o certificado ISO/IEC 42001 e a política de uso de dado para treinamento

Os certificados ISO e os relatórios SOC não ficam para download aberto: a própria página de segurança orienta a solicitá-los pelo contato comercial do fabricante. Planeje esse prazo, porque ele costuma ser o gargalo do cadastro.

Perguntas frequentes

Pergunta Resposta curta
O ClickUp tem certificação ISO? Tem. São cinco normas declaradas: ISO/IEC 27001:2022, 27017:2015, 27018:2019, 27701:2019 e 42001.
Qual delas o formulário costuma pedir? A ISO/IEC 27001, que é a norma de requisitos do sistema de gestão de segurança da informação.
As edições citadas estão atualizadas? Duas sim: 27001:2022 e 42001:2023. As outras três já têm edição mais nova publicada pela ISO. Peça ao fabricante a edição do certificado vigente e o plano de migração.
Edição retirada invalida o certificado? Não. Existe período de transição, e certificados emitidos contra a edição anterior seguem válidos até a migração.
27017 e 27018 geram certificado próprio? Normalmente não. São códigos de prática, e entram como extensão do escopo da certificação 27001.
ISO e SOC são a mesma coisa? Não. ISO é certificação, com certificado, escopo e validade; SOC é atestação, com relatório de auditor. A página do fabricante chama os dois de certificação.
Quais relatórios SOC existem? SOC 1 Tipo 2, SOC 2 Tipo 2 e SOC 3. O fabricante afirma auditoria independente pelo menos anual desses controles.
O que a ISO 42001 cobre? Gestão de inteligência artificial: onde a IA entra, quem responde, como o risco é avaliado e como a mudança é controlada. Não atesta que o modelo acerta.
42001 substitui a 27001? Não. Uma cuida da segurança da informação, a outra da governança da IA.
O ClickUp declara conformidade com a LGPD? A página de segurança não menciona LGPD. Exibe selos de GDPR e HIPAA. A adequação à LGPD se resolve em contrato e acordo de tratamento, não em selo.
Onde os dados ficam hospedados? Em infraestrutura da AWS. A escolha de região é exclusiva do plano Enterprise, entre Irlanda, Austrália, Singapura e Estados Unidos. Não há região no Brasil.
A certificação cobre o meu uso? Não. Permissão, link público, convite ativo e o que a equipe cola dentro da tarefa continuam sendo configuração sua.

Próximo passo

Se o que você precisa agora é o documento para anexar ao cadastro, solicite pelo contato comercial do fabricante e peça de uma vez só: certificado com escopo e validade, edição coberta por cada norma e o relatório SOC do período. Pedir tudo junto economiza um ciclo inteiro de e-mails.

Se a homologação ainda vai começar e você quer ver a plataforma antes de submetê-la ao jurídico, dá para abrir uma conta de teste do ClickUp e conferir na prática o que a sua equipe conseguiria expor: quem enxerga cada Space, o que pode virar link público e quais permissões existem. Só lembre que a escolha de região de dados não aparece aí, porque é exclusiva do Enterprise.

Se o ponto é o segundo risco — o que fica do seu lado —, o trabalho é de configuração: revisar quem acessa o quê, o que está publicado em link, quais convites continuam ativos e o que a equipe registra onde. É disso que trata a consultoria, e manter isso em dia ao longo do tempo, com revisão periódica de acessos, é sustentação e evolução. Como revenda oficial, eu também acompanho o pedido de documentação junto ao fabricante quando a licença é nacional.

Fontes

*As certificações, relatórios e edições citados são os declarados pelo fabricante e pelo catálogo da ISO no momento da consulta, e podem mudar sem aviso — confirme sempre no documento vigente antes de anexá-lo a uma homologação. Este texto é orientação de diligência técnica e não substitui a análise do seu jurídico, em especial quanto a LGPD e transferência internacional de dados. A licença nacional em reais, com nota fiscal brasileira, exige no mínimo 10 usuários por regra do fabricante e sai por cotação.

Entre em Contato

Nossa missão é transformar cada desafio do seu negócio em uma oportunidade de sucesso. Com estratégia e tecnologia, estamos prontos para levar seus negócios a um novo nível.

Nossos Serviços

É fácil falar com a Audatia

Pronto para Escalar a sua Operação?

Pare de perder tempo e dinheiro com tecnologias subutilizadas. Converse com nossos especialistas hoje mesmo e descubra como a nossa curadoria técnica, integrações e Inteligência Artificial podem devolver o controle à liderança e dar autonomia para o seu time.

Horário de Atendimento

🕒 Seg a Qui: 09h - 17h
🕒 Sex: 09h - 16h

Consulte horários especiais em feriados.

Comercial

Av. Brig. Faria Lima, 1811 - SL 115
Jardim Paulistano - São Paulo - SP
CEP 01452-001

Operações

R. Nair Ferreira Martins, 28 - 1ºAndar - SL 104
Vila Adelina - Suzano - SP - Brasil
CEP 08675-320

Formulário de Contato