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Como controlar as etapas de projeto (LV, PN, EP, AP, PL, PB, PE) sem depender de planilha

Como controlar as etapas de projeto (LV, PN, EP, AP, PL, PB, PE) sem depender de planilha

Revisão: João Paulo Chagas, gestor de Marketing e Operações da Audatia · atualizado em 18 de agosto de 2026

As siglas LV, PN, EV, EP, AP, PL, PB e PE vêm das ABNT NBR 13531:1995 e NBR 13532:1995 — levantamento, programa de necessidades, estudo de viabilidade, estudo preliminar, anteprojeto, projeto legal, projeto básico e projeto para execução. Essas duas normas foram canceladas em dezembro de 2017. Quem está em vigor é a série ABNT NBR 16636, que reorganizou o mesmo percurso em duas fases e ampliou a nomenclatura (LV-ARQ, PN-ARQ, EV-ARQ, EP-ARQ, AP-ARQ, PL, PE-ARQ, além das etapas complementares e do as built). Na prática, o vocabulário antigo continua circulando no mercado, e é ele que o cliente usa no contrato.

O controle dessas etapas não falha por falta de planilha. Falha porque a planilha é um registro secundário: alguém precisa lembrar de atualizá-la, depois que o fato já aconteceu. Enquanto o dado de verdade estiver no e-mail, na pasta do servidor e na cabeça do coordenador, a planilha será sempre uma fotografia velha. A saída é parar de tratar etapa como linha de relatório e passar a tratá-la como status do próprio trabalho — com data, dono, número de revisão e situação de aprovação registrados no lugar onde o trabalho acontece, não num arquivo paralelo. Quando a etapa é o status, o estado dos quinze projetos é consequência de quem já está trabalhando neles, não de alguém consolidando na sexta-feira.

Quais são as etapas de projeto e o que cada uma entrega?

A tabela usa as siglas históricas — as que aparecem em contrato e proposta — e indica a correspondência na norma vigente.

Sigla Etapa Caracterização da entrega Correspondência na NBR 16636-2
LV Levantamento de dados Terreno, entorno, legislação municipal, serviços públicos e cadastros LV-PRE e LV-ARQ
PN Programa de necessidades Ambientes, usos, dimensões e requisitos que orientam a concepção PGN e PN-ARQ
EV Estudo de viabilidade Avaliação de alternativas físicas e jurídico-legais, com conclusões EV-EMP e EV-ARQ
EP Estudo preliminar Representação “sucinta e suficiente para a caracterização geral da concepção adotada” EP-ARQ (e EP-COMP)
AP Anteprojeto Informações técnicas da edificação e de seus elementos, em nível superior ao EP AP-ARQ e AP-COMP
PL Projeto legal Informações suficientes ao atendimento das exigências legais para aprovação PL
PB Projeto básico Desenvolvimento do anteprojeto; era etapa opcional nas normas de 1995 Não figura com esse nome; o termo permanece na Lei 14.133/2021
PE Projeto para execução Desenhos detalhados, memoriais e quantitativos para a obra PE-ARQ, PE-COMP e PECE

Duas observações que evitam ruído com o cliente. Primeira: o EV é frequentemente suprimido da lista informal, mas existe na norma e costuma ser exatamente onde o escopo muda. Segunda: “projeto básico” não sumiu — mudou de casa. Em contratação pública ele é definido em lei, não em norma técnica:

“XXV – projeto básico: conjunto de elementos necessários e suficientes, com nível de precisão adequado para definir e dimensionar a obra ou o serviço…”
Lei nº 14.133/2021, art. 6º

Se o escritório atende público e privado, os dois vocabulários convivem. O controle precisa aceitar isso sem criar duas listas paralelas.

Por que a planilha de controle sempre desatualiza?

Porque ela é alimentada depois — e por alguém que não é quem produziu o fato.

O arquiteto termina a revisão do EP na terça. Manda por e-mail na quarta. O cliente responde na sexta pedindo ajuste. A planilha é atualizada na segunda seguinte, por um coordenador que reconstruiu a sequência lendo a caixa de entrada. Nesse intervalo de cinco dias, qualquer pergunta sobre o estado daquele projeto teve resposta errada. Não por má-fé: por latência estrutural.

Isso escala mal. Com três projetos, a reconstrução manual funciona. Com quinze, cada um em etapa diferente, o custo de manter a planilha correta passa a competir com o trabalho técnico — e perde. A planilha então vira o que quase sempre vira: um documento que todo mundo sabe que está desatualizado e ninguém confia o bastante para decidir a partir dele.

Vale dizer o óbvio para não parecer perseguição à ferramenta: planilha é ótima para cálculo, para orçamento paramétrico, para comparar alternativas. O problema não é o Excel. O problema é usar um artefato de cálculo como fonte de estado de um processo vivo. Estado precisa de dono e de carimbo de tempo automático. Célula não tem nem um nem outro.

O que precisa estar registrado em cada etapa?

Cinco campos resolvem a maior parte das perguntas que um sócio faz numa reunião de segunda-feira.

Campo O que registra Por que importa Sinal de que está faltando
Entregável Qual peça caracteriza a etapa como concluída Sem definição de entregável, “quase pronto” é opinião Duas pessoas discordam se a etapa acabou
Responsável técnico Quem assina a etapa e sob qual registro (RRT no CAU, ART no CREA) Amarra responsabilidade legal a um nome e a uma data Ninguém sabe quem responde por aquela peça
Data de entrega Data prometida e data efetiva do envio A diferença entre as duas é o único histórico de prazo confiável O cronograma só existe na proposta comercial
Status de aprovação do cliente Enviado, em análise, aprovado com ressalva, reprovado Etapa entregue não é etapa aprovada A equipe avança sobre base que o cliente ainda vai mudar
Número de revisão R00, R01, R02… com o motivo Evita que disciplinas trabalhem sobre versões diferentes Alguém pergunta “essa é a última?”

O campo de responsável técnico merece atenção porque é o único com consequência jurídica:

“Art. 1º – Todo contrato, escrito ou verbal, para a execução de obras ou prestação de quaisquer serviços profissionais referentes à Engenharia, à Arquitetura e à Agronomia fica sujeito à ‘Anotação de Responsabilidade Técnica’ (ART).”
Lei nº 6.496/1977

Para arquitetos e urbanistas, o instrumento equivalente é o RRT, do CAU. O ponto de gestão — e aqui falamos de registro, não de prática profissional — é que esses documentos têm prazo relativo à atividade: no caso do RRT, o CAU orienta que atividades do grupo Execução sejam registradas antes do início, e as demais, até o término. Ou seja: a emissão está atrelada a uma etapa e a uma data. Se a etapa não tem data registrada em lugar nenhum, o controle da responsabilidade técnica também não tem.

Por que a compatibilização entre disciplinas é onde o cronograma quebra?

Porque ela é a única etapa cujo insumo não pertence a quem executa.

Arquitetura, estrutural, hidráulica e elétrica avançam em ritmos próprios e sobre versões próprias. A compatibilização só pode acontecer quando as quatro estão numa revisão coerente entre si. Basta uma disciplina entregar R02 enquanto as outras trabalham sobre R01 para que o resultado seja uma lista de interferências que não descreve o projeto real — descreve o descompasso de versões.

O sintoma clássico é a reunião de compatibilização que termina sem decisão porque “o estrutural mandou uma versão nova ontem”. O cronograma não quebrou na compatibilização. Quebrou antes, quando ninguém registrou que a revisão do estrutural invalidava a base da elétrica.

O que torna isso controlável é modesto e chato: cada disciplina com etapa própria, cada etapa com número de revisão visível, e uma dependência explícita entre elas. Não é método de engenharia — é registro. A decisão técnica sobre como compatibilizar continua sendo do coordenador de projetos. O que muda é que ele para de descobrir o desencontro na reunião.

E quando o prazo está na prefeitura ou na concessionária?

Sim, esse prazo não é seu. Análise em prefeitura, aprovação no corpo de bombeiros, viabilidade junto à concessionária — nada disso responde ao seu cronograma interno, e prometer data para o cliente sobre esse trecho é assumir risco de terceiro.

Mas “fora do controle” não é o mesmo que “fora do registro”. Três coisas continuam sendo suas:

  • A data de protocolo. Quando o processo entrou, com número.
  • O estado atual. Em análise, exigência emitida, exigência respondida, deferido.
  • O relógio da bola em quadra. Quanto tempo o processo está parado do lado de lá — e, principalmente, quanto tempo ficou parado do lado de cá esperando alguém responder a uma exigência.

Essa última é a que dói. Escritório costuma culpar o órgão pelo atraso e, quando o histórico existe, descobre que uma parte relevante do tempo foi de exigência recebida e não respondida. Sem registro, essa conversa é impossível de ter — com o cliente e internamente.

Aprovação externa, portanto, entra no controle como etapa de espera com dono e data de protocolo, não como buraco no cronograma.

Por que “% concluído” não funciona em projeto — e o que colocar no lugar?

Sim, o percentual é confortável: dá um número único para o cliente e cabe numa barra. O problema é que ele não é observável. Ninguém consegue verificar se um anteprojeto está 60% ou 75% pronto. O número sai da percepção de quem responde, e percepção infla perto do prazo.

Pior: percentual esconde retrabalho. Um projeto a 80% que recebe uma mudança de programa volta para 40%, mas quase nunca alguém baixa o número na frente do cliente. Ele sobe, trava em 90% e fica lá por semanas — o famoso “noventa por cento eterno”.

O que substitui é discreto e verificável: etapa atual e etapa seguinte; revisão corrente; status de aprovação; data prometida versus data efetiva; tempo em espera externa, separado do tempo de produção interna.

Nenhum desses é opinião. Todos podem ser conferidos por alguém de fora.

O que muda quando a etapa vira status com data e dono?

Muda a direção do fluxo de informação. Hoje o coordenador busca o estado: abre pasta, procura e-mail, pergunta no grupo. Quando a etapa é status, o estado se publica sozinho — porque quem move o trabalho move o status, e é o mesmo gesto.

Três efeitos práticos aparecem. A reunião de coordenação deixa de ser levantamento de estado e passa a ser decisão sobre exceção. O histórico passa a existir: data prometida e data efetiva, acumuladas por dezenas de etapas, formam a única base honesta para dimensionar a próxima proposta. E a pergunta do sócio tem resposta em segundos.

Uma ressalva séria, para não vender mágica: se a planilha continuar existindo em paralelo e funcionando, ela vence. Sempre. O hábito antigo é mais confortável, e o registro novo sempre tem uma etapa a mais no começo. A migração só se sustenta quando a planilha de controle é desativada de fato — não quando é mantida “por garantia”. Duas fontes de verdade produzem zero fontes de verdade.

E vale o limite de escopo: nada disso substitui coordenação técnica. Definir o que caracteriza um anteprojeto concluído, decidir uma interferência entre estrutural e hidráulica, avaliar exigência de órgão — isso é competência do responsável técnico. O que se descreve aqui é o registro do processo, não a prática de projeto.

Resumo

Pergunta Resposta curta
As siglas LV, PN, EP, AP, PL, PB, PE são atuais? Vêm das NBR 13531/13532:1995, canceladas em 2017. A vigente é a série NBR 16636.
Por que a planilha desatualiza? Ela é preenchida depois do fato, por quem não produziu o fato.
O que registrar por etapa? Entregável, responsável técnico, data prometida e efetiva, status de aprovação, número de revisão.
O que RRT e ART têm a ver com etapa? Amarram responsabilidade legal a um nome e a um prazo relativo à atividade.
Onde o cronograma costuma quebrar? Na compatibilização, que depende de disciplinas em revisões coerentes entre si.
Como controlar aprovação em prefeitura? Registrando data de protocolo, estado e tempo de espera, separando espera externa de interna.
Por que “% concluído” é ruim? Não é verificável e esconde retrabalho.
O que muda com etapa como status? O estado se publica sozinho; a reunião passa a tratar exceção.

Se o seu controle de etapas hoje é uma planilha, comece mapeando uma etapa

Não é preciso redesenhar o escritório inteiro para testar isso. Pegue uma etapa — normalmente o PL, porque concentra espera externa — e registre nela os cinco campos. Rode com os projetos que estiverem nessa etapa por um ciclo. Se a pergunta “como está?” passar a ter resposta sem abrir pasta, o modelo se sustenta para as demais.

A Audatia é consultoria de tecnologia para operação e ajuda escritórios a desenhar esse registro — quais etapas viram status, o que cada uma exige, como as disciplinas se relacionam e o que fica visível para o cliente. Trabalhamos com ClickUp e monday.com, e a escolha da plataforma vem depois do desenho do processo, nunca antes.

Escritório de engenharia ou arquitetura? A página gestão para escritórios de engenharia e arquitetura reúne como a Audatia estrutura etapas, revisão, aprovação de cliente e horas por contrato.

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